
O dourado do Outono já tinha fugido dos ramos das árvores, o sol cansado adormeceu no leve embalar das nuvens negras que adornavam pesadamente o céu.
Deitou-se com o manto do cansaço a pesar no corpo dorido.
Decididamente o sol fazia-lhe falta, sem ele sentia-se murchar, acompanhava o quebrar do ânimo que a fazia pensar em como seria bom hibernar durante aqueles meses de frio.
O som insistente do telefone despertou-a da imobilidade em que se tinha instalado. O corpo recusava qualquer movimento, mas a cabeça estalava a cada novo toque. Na dúvida levantou o braço e sentiu um arrepio percorrer-lhe a pele imóvel… a voz que a despertou era macia, mas irónica…
-Então já sabes qual é a cor do frio?
… conhecida, mas distante!
-Tem a cor da tua voz neste momento!
-Dia mau
-E não melhorou…
-Pensei que te podia aquecer com o meu sorriso nesta tarde gélida.
Lembrou-se do sorriso dele. Quente e convidativo como nunca tinha visto. Suficientemente atraente para a arrastar para um universo de sensações desconhecidas e terrivelmente egoísta para a deixar sozinha nesse emaranhado de emoções.
-Há alturas em que o excessivo calor pode causar arrepios…de medo
-É isso que eu te provoco…
-Cinzento…sim o frio é definitivamente cinzento, nem branco nem preto, mas cinzento. Como tu. Não consegues ser transparente quando me acaricias nem agreste quando me abandonas. Ofereces-me labaredas de paixão e deixas-me com a neve a derreter entre os dedos.
Sabia que ele não conseguiria descobrir nos recantos da noite, escondidos dentro dele, a voz desse sentimento, onde estão as palavras feitas poema de uma existência!
Era demasiado egoísta para amar, por isso vivia imerso numa bruma sem horizonte, convencido que tudo tinha, mas sempre numa busca dorida do muito que lhe faltava.
Desligou o telefone, aumentou o volume do aquecimento e soube que também o frio pode ser ignorado, basta dar-lhe um pouco mais de cor!
Deitou-se com o manto do cansaço a pesar no corpo dorido.
Decididamente o sol fazia-lhe falta, sem ele sentia-se murchar, acompanhava o quebrar do ânimo que a fazia pensar em como seria bom hibernar durante aqueles meses de frio.
O som insistente do telefone despertou-a da imobilidade em que se tinha instalado. O corpo recusava qualquer movimento, mas a cabeça estalava a cada novo toque. Na dúvida levantou o braço e sentiu um arrepio percorrer-lhe a pele imóvel… a voz que a despertou era macia, mas irónica…
-Então já sabes qual é a cor do frio?
… conhecida, mas distante!
-Tem a cor da tua voz neste momento!
-Dia mau
-E não melhorou…
-Pensei que te podia aquecer com o meu sorriso nesta tarde gélida.
Lembrou-se do sorriso dele. Quente e convidativo como nunca tinha visto. Suficientemente atraente para a arrastar para um universo de sensações desconhecidas e terrivelmente egoísta para a deixar sozinha nesse emaranhado de emoções.
-Há alturas em que o excessivo calor pode causar arrepios…de medo
-É isso que eu te provoco…
-Cinzento…sim o frio é definitivamente cinzento, nem branco nem preto, mas cinzento. Como tu. Não consegues ser transparente quando me acaricias nem agreste quando me abandonas. Ofereces-me labaredas de paixão e deixas-me com a neve a derreter entre os dedos.
Sabia que ele não conseguiria descobrir nos recantos da noite, escondidos dentro dele, a voz desse sentimento, onde estão as palavras feitas poema de uma existência!
Era demasiado egoísta para amar, por isso vivia imerso numa bruma sem horizonte, convencido que tudo tinha, mas sempre numa busca dorida do muito que lhe faltava.
Desligou o telefone, aumentou o volume do aquecimento e soube que também o frio pode ser ignorado, basta dar-lhe um pouco mais de cor!
30 comentários:
Há mesmo sorrisos que aquecem...
...tudo depende da vontade de quem sorri e de quem recebe o sorriso
Gostei Carla e obrigado pelos riscos simpáticos na ardósia.
~CC~
carla,
obrigada pela visita lá no "pedra".
seja bem vinda e boas bloguisses!
até breve,
teresa
Não consegues ser transparente quando me acaricias nem agreste quando me abandonas.
..........
um frio que será sempre indefinido mas sofrido.
Parabéns pelo texto e por tudo que ele encerra com uma visão fantástica.
Beijos sinceros
O amor será uma viagem de ida-e-volta com pegadas vermelhas!
Beijo.
Podemos enganar o frio aumentando o aquecimento, mas não podemos enganar a frustação, adormecendo o sentimento.
Beijinhos adorei, vou voltar
Tudo pode ser ignorado, minha querida, menos os sentimentos.
mais cedo ou mais tarde, quando estamos mais fragilizados, aparecem com redobrada insistência.
Incrível que não tenhas aberto o blog há anos.
fico encantada quando aqui venho.
beijinho Amiga
Uaaauuu! já não há letrinhas!!!!
de frio cinzento
neutro
de frio branco
neutro
de frio preto
neutro
só de frio
só
arrefeço
com ou sem cor
gelo
medo...
CC
A tua ardósia transporta-me para viagens que eu adoro, por isso é sempre com prazer que passo por aí
Teresa
Espero que as minhas bloguisses sejam do teu agrado
Fatyly
como sempre as tuas palavras têm o condão de me aquecer
Wings
era mesmo isso que eu queria dizer, conseguiste entender na perfeição a minha mensagem
Volta sempre
Marta
Acabei mesmo com as letrinhas, confesso que também não gosto delas.
Como eu gosto das tuas palavras, acreditas que por vezes me sinto uma alma gémea dos teus escritos.
Ivone
até porque há frios que me provocam arrepios de medo
Que belo poema a adornar estes meus primeiros passos
Já que falas da cor do frio, experimenta fotografá-lo. Tentei aqui fotografar o nevoeiro, mas não consegui. Sei que é uma especie de metáfora porque nevoeiro não significa necessariamente inverno, ou seja, escondemo-nos nele se for preciso, mas inevitavelmente nos encontrarão. Só os egoístas não amam! :)
Quando se escreve
com prazer
é sempre belo
em todas as estações
bjs
Estreia excelente!
Ficará à espera que o frio passe, ignorando-o e aguardando calor? Ou estará num glaciar, e terá de sair de lá para escapar ao gelo?
"Não consegues ser transparente quando me acaricias nem agreste quando me abandonas. Ofereces-me labaredas de paixão e deixas-me com a neve a derreter entre os dedos."
Esta metáfora está incrível!
Beijinhos
Acho que conseguiste não só fotografá-lo como elaborar uma bela receita.
E às vezes precisamos de nos esconder, nem que seja por alguns momentos!
concordo, a escrita pode é ter outras nuances
HTsousa
Ainda bem que gostaste. Acredito que aguarda pelo calor, de outra forma que sentido teria a vida?
Se foi apanhada num nevão, pode ter de mudar de sítio! ;)
Mas sem calor não faz sentido nenhum.
htsousa
as mudanças, por vezes são dolorosas, mas indispensáveis para que a vida possa ter outra "cor"
Olá, Carla!
Éu tinha dado os parabéns no 1º post, mas pelos vistos o comentário não ficou... :(
Este texto está leve, como flocos de neve, acolhedor como o calorzinho do aquecimento!
"Ofereces-me labaredas de paixão e deixas-me com a neve a derreter entre os dedos".
A verdade de certos sentimentos medida pela temperatura do termómetro:)
Beijocas
lua de sol
mesmo quando não conseguimos medir a temperatura dos nossos sentimentos é agradável saber que eles têm variações
Tenho que dizer que já lhe conhecia a veia poética e o jeito para as palavras, mas de facto, e tenho que ser sincera, este texto está fantástico, lindo mesmo. Cá para mim as palavras não estão em desalinho, mas muito bem alinhadas. Fico à espera de mais posts destes para ler.
CB
CB
Espero que os próximos sejam igualmente agradáveis.
Volte sempre
Bela imagem!!!
JJ@N
há imagens que falam, pelo menos para mim
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