domingo, 27 de junho de 2010











desassossego
sibilante esta palavra que me rouba o sossego.
de braço dado com a ansiedade. onde pára a calma de outrora?
língua de fora. provocação!
hoje é dia. o dia!
espera a rua passos audazes. os meus. retidos num canto em conformismo.
desassosego-me.
polvilho de pimenta de Caiena. pó picante. audácia desperta.
especiarias soltas no vento.
revogada a perpétua pena. pena de morte à escravidão.
insensatez?
quiça.
quando im-possíveis se transformam num rio de chocolate.
prova-me.
em desassossegada fome.

ausente... mas não esquecida. regressei com as saudades amarradas em mim.
aos poucos vou re-descobrindo os caminhas até aos vossos espaços. obrigada, principalmente a todos os que estiveram presentes com palavras amáveis...
beijos em desalinho

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

À beira do precipício



Há na tua ausência um infinito
De pele não percorrida.
Carícias insubmissas,
Fugitivas do meu anseio.
Letras que não chegam a palavras
Caladas na clausura da noite.
Desconfio, como uma criança
Desolada à beira do precipício.
Ardem escondidas dentro de mim
As lágrimas que não se soltaram!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009



Volto a esse espaço a essa rua sem nome, pelo menos nas minhas memórias vazias. Lá te encontro. Formas que recupero de ontem. Para que o hoje não invalide o amanhã.
Um corpo. Desalento no sopro do vento norte.
Um olhar. Bebido na ilusão de um bar a fechar.

Escrevo dor. Recupero a tua atenção. Sabes do que falo aí no recanto das tuas feridas abertas.
Desenho os contornos curvados que te capto. Moldo-me. Choro seco que alimenta os ponteiros desse relógio... dessa hora já vivida.

dono.o tempo.escraviza os momentos.
eu. neste tempo sem ti!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

No hálito adormecido das palavras


No hálito adormecido das palavras moribundas
que vomitam sentimentos ultrajados
grito dores, rasgo carnes apodrecidas,
na farsa de uma vida de dias esmagados!

Vagueio nos braços da noite, onde o silêncio
Percorre descalço a oca solidão deste vazio.
Calco cinzas de mim…na mortalha
Que envolve fumos de queimada palha.

Descubro nas linhas de uma sina aldrabada
Ser filha de um passado que não vivi.
Traço nos papéis desertos da rua a coordenada
De um trilho para onde enfim parti!

Esqueço sonhos, apago a saudade
Vagabunda sem raízes em árido solo
Como se fosse a história da humanidade
Sonâmbula e adormecida no meu colo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nós entrelaçados




escorrem pirilampos
como gotas de mar salgadas,
na ponta dos dedos do teu desejo.

memórias dos beijos que despertam,
o arrepio silencioso no arquear
do corpo vagabundo.

olhos fechados, suspiros dormentes,
presença viva no despertar
do sonho de sempre!

nós...muito mais que eu e tu
nós...muito mais que o sonho
nós...no nó cego em que nos entrelaçamos!

Porque amar é ter em nós
Um arco-íris de palavras descobertas
Nas cores fortes do sentimento…

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

...são asas




Os pés são asas
sem destino
As mãos são barbatanas
sem mares
Os pés são raízes
sem tronco
As mãos são folhas
Sem fruto

Escrevo viagem
Mas sinto…ausência

Os pés são o teu corpo
Sem mim
As mãos são o meu coração
Sem ti

Escrevo amor
Mas sinto…silêncio

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Des-construir o poema



Lembro-me dos dias em que as horas se despiam para nós… nuas de todos os preconceitos.
E perdidos nesse tempo voraz, em que os ponteiros ensinavam o nosso amor a despontar, des-construíamos o poema.
Rias-te por cada palavra roubada, como fruta na berma da estrada, e trazias o seu sumo até ao recorte dos meus lábios.
Embrulhavas as rimas no teu aroma e deixavas escorrer um gota no arrepio do meu prazer.


Gritava de amor
…o nosso corpo!
Silêncio de paixão
…o poema!
Vestia os trajes do desejo
…o nosso corpo!
Despia os trajes da ansiedade
…o poema!


Poesia desperta nos poros da madrugada… em nós suor adocicado com misteriosos aromas do Oriente!


Voltei finalmente e quero deixar um beijo de agradecimento a todos os que foram passando por aqui na minha ausência. Aos poucos espero por as minhas visitas em dia.